segunda-feira, 29 de maio de 2023

Viver

 Eu gostaria muito que ouvesse outra vida.

 Eu amo viver. Acho a existência algo incrível, a natureza, os ciclos, os sentimentos,  a sensações, sentidos, isso tudo e mais um pouco fazem eu sentir vontade de ficar o máximo que posso. Eu amos os animais, amo as plantas e as florestas, adoro sentir o orvalho da manhã, e renovar meu fôlego sempre que saio da cidade ou me afasto dela. Amo que exista uma diversidade de tudo, de culturas, espécies, gêneros, em resumo, acho a natureza, o mundo e o viver é perfeito. Contudo, eu não me encaixo aqui. Por mais que eu tente, porque que eu ame, eu gostaria de ter outra oportunidade e outra vida onde eu me sentisse feliz. Onde eu sentisse paz e que conseguisse estender isso para além de mim. Queria deixar de ser uma pessoa ingrata. Por mais que eu faça meu melhor, sempre sou ingrata. Juro que não é porque quero, eu só não me sinto bem. Odeio externalizar esse tipo de sentimento, mas no final, eu sou completamente infeliz, e eu sinto muito por isso. 

Eu reconheço o que fazem por mim, mas na maior parte do tempo, sinto que é o básico de todo ser humano, que mereço mais. A real é que poucas vezes senti paz, poucas vezes não me senti mal por ser eu mesma e que a vida não pra mim. Eu sou um completo desperdício de tudo. 

Eu adoraria que depois daqui eu tivesse a oportunidade de aproveitar tudo que gosto, mas de forma tranquila, sendo feliz, me sentindo amada, e o melhor, sendo quem eu sou sem toda carga de negatividade. As vezes acho que nem eu me conheço, e se me conheço, afirmo, só sou uma pessoa horrível.

 Creio que o mais desgastante de tudo é que eu sei que devo ficar sempre sozinha, família, amigos e relacionamentos não são pra mim, embora eu goste de ter alguém, embora eu ame, sempre sou infeliz, alguém que não sabe nem ser amada, uma pessoa que nunca esta satisfeita, que pareço  ter algo a ofercer, mas sou apenas um poço de depressão, burrice e desgosto. Odeio fazer com que se sintam que não são suficientes para mim, causar desconforto, indiferença, mas... eu sou isso. Por isso digo que sou um completo desperdício. No fim, sou uma pessoa ridícula, que não sabe lidar com os próprios sentimentos, por consequência, não sabe lidar com os outros, e é bem mais fácil assim. Como falei, amo a vida, mas isso não é pra mim. Talvez, se eu fosse feliz, tivesse a decência de me esforçar para ser alguém melhor, eu devesse ficar.

Estou cansada de tentar, de ser ingrata, de ser quem sou. Me pergunto se essa já não é uma outra vida, se já desisti de tantas e estou aqui novamente, mas isso é uma tortura. 

quinta-feira, 20 de abril de 2023

Respiração

 Respire fundo lentamente e depois solte... Fiz isso a vida toda, fiz tanto que em muitos momentos eu me pego sufocada porque precisei controlar a respiração para não pirar. É "interessante" como o motivo que me sufoca é fator determinante em relação a minha forma de respirar, por exemplo, quando estou focada em algo, eu não respiro normalmente, logo percebo isso quando já estou passando mal e começo a "hiperventilar". O curioso é que por trás desse foco, é o simples fato de eu ter dificuldade em aceitar que não preciso ser boa em tudo, o medo de errar ou não alcançar o objetivo. Quando tive covid, a falta de ar era diferente, era como se tivesse um balão no meu peito e ele tomava todo ar que eu inspirava e se enchia de forma simultânea. Outro exemplo, é quando eu me sinto perdida e quero chorar, talvez crise de ansiedade, nesse caso, a respiração é apertada, com uma mistura de adrenalina. Enfim... existe outro tipo de falta ar, essa é complicada, mas é a que sinto quando "estou obesa". Acho que é uma das piores, porque inclui minha relação com meu corpo e com tudo que ignoro normalmente. Simplesmente não consigo respirar de tão gorda, é como a sensação de quando a gente come muito e fica difícil respirar, mas nesse caso ela vem sem ter comido. É uma sensação de cansaço, culpa e de falha. Parece também que meu coração vai parar a qualquer momento por eu está gorda. Se eu vomitasse ou mesmo tivesse diarreia, eu me sentiria bem melhor e mais leve, porém sei que isso implicaria em coisas mais graves. Não gosto de me sentir assim, mas só estou livre disso quando vivo igual um robozinho. Para não sentir esse tipo de falta de ar, preciso ir para a academia todos os dias e comer de forma normal todos os dias. Não que eu não goste dessa rotina, porém as vezes saio dela por sentir que sou mais que isso, e é aí que eu peco. Também existem questões de saúde, me sinto péssima quando tomo remédios fortes, tipo antibióticos e o fator financeiro que me impedem de comer como eu gostaria tem outro peso absurdo nisso tudo. É complicado, por hora, vou apenas voltar a treinar e voltar usar minha roupas largas, caso ao contrário, não aguento me olhar no espelho sem me achar ridícula ou ter nojo de mim. É uma pena, pois não mereço isso. Sigo tentando nao me cobrar tanto. Vou superar. 

quinta-feira, 5 de janeiro de 2023

01/01/22

Em algum momento percebi que estava apaixonada.  Era algo que eu queria, até parecer errado. 

A verdade, é que está apaixonada é bom, até você não tem que lidar com isso de fato, apenas sentir. Eu sempre amei a sensação de ansiedade envolvida, mas em raras ocasiões isso foi compartilhado. Gosto de ser só, de fazer só, me sentir apenas como espectadora, sabendo que uma hora vai passar. Ano passado me apaixonei algumas vezes, na primeira, (que ja era uma paixão de 2020) eu não via a hora de ver um meme e enviar, apenas pelo prazer do contato. Contava as horas para o dia acabar, e passar a noite toda conversando coisas aleatórias. Ele sabia, eu sabia, e isso bastava. Nunca tivemos nada, não era uma boa hora, mas aproveitei cada segundo dessa sensação eletrizante. 

A segunda, eu estava péssima, foi uma péssima hora para se apaixonar. Eu não queria que isso ocorresse, tinha receio de se tornar uma dependência emocional, então mesmo sentindo borboletas no estômago, e achar o beijo dele a coisa mais incrível daquele ano, eu recuei. Eu fazia questão de demonstrar o quanto eu estava apaixonada, em contrapartida, fazia isso sem sucesso. Um dos motivos do meu estado na época ser considerado péssimo, foi porque estava recebendo enxurrada de críticas e autocrítica a respeito das minhas formas ou melhor, da minha ausência de demonstrações de afeto. Alterava então entre ser uma cadelinha e ignorar. Era algo novo para mim, queria ser uma "pessoa normal" ao mesmo tempo tinha o receio de ser alguém que sufoca. Nós afastamos, até que não tivemos mais nada.

Foi então que percebi que não estava pronta para um relacionamento, ou pelo menos era a melhor opção, visto que eu tinha um misto de querer mergulhar de cabeça e me entregar, e o de não conseguir me deixar levar. Coloquei an cabeça "é melhor nem tentar". Assim, ocorreu uma terceira vez, que foi uma coisa de louco. Eu estava sem paciência para conhecer as pessoas, lembro de ter feito um texto no Facebook, alegando  que realmente não tinha interesse em conhecer alguém. (Isso é devido eu está solteira a um tempo e receber muitos convites) Contudo, alguns comentários de status fez eu conhecer alguém que me surpreendeu totalmente. Conversamos sobre relacionamentos, e sobre o como eu tinha dificuldades em me relacionar, entao evitava. Foi algo bem saudável, algo como sair para conversar na pracinha, comer e apenas se conhecer. Eu gostei disso. Nessa vez eu pensei "pode ser". Meus amigos até notaram o quanto eu tinha interesse nessa pessoa, algo meio diferente e meio bizarro. Eis que eu percebo uma decaída na comunicação, e mesmo gostando, a minha mente dizia que não deveria insistir, e eu até tentei, juro que fiz o meu melhor, mas é como se eu nunca sentisse algo que de fato me fizesse querer ficar, não sei se é auto estima, ego, orgulho, medo ou apenas questão de reconhecer e separar o "gostar do conviver".

Velhos questionamentos voltam a tona "eu não sou normal".

01/01/23 eu estava deitada conversando com ele, então percebi. Estou apaixonada. Eu poderia ter falado, mas falei que não tinha expectativas. Realmente, uma coisa não tem a ver com a outra. Tudo estava indo tão bem, até eu notar isso. Fica tudo confuso, e meu cérebro diz, vai embora, mesmo eu querendo ficar. Em outra ocasião, eu adoraria aproveitar o momento, como estava fazendo desde a primeira vez que ficamos, mas agora me sinto sensível e vulnerável.  Me sinto errada. A paixão para mim sempre foi uma sensação ótima, até eu perceber que não sei lidar com ela quando o sentimento é compartilhado. Não estou levando em conta a disponibilidade das pessoas quando analiso, afinal, se trata de mim. Sobre eu não saber lidar com meus sentimentos e sempre fugir. Talvez eu esteja dentro da teoria do caos e não perceba algum padrão que esteja me afetando, mas na maioria das vezes eu penso "eu deveria estar aqui". Maldita TPM, maldito bloqueio emocional. 

quarta-feira, 28 de dezembro de 2022

28/12/2022

 Por muitos anos, chorar sempre me acalmava. É irônico, uma vez que eu sempre chorei por estar com pensamentos turbulentos. Hoje eu estou aqui, aos 45 do ano de 2022, e estou cansada de mais até para chorar. Estou fazendo coisas supérfluas que sempre me ajudaram, e mesmo assim, sinto que nada muda, pelo contrário, sinto que não sou capaz nem desabar em lágrimas. 

Não sei ao certo quando isso tudo começou, mas por alguns momentos sempre senti que tudo passava e que conseguia ser alguém normal. Engano meu. As atividades do dia a dia, a academia, orgasmos, beber ou dançar nada disso me trás a sensação de plenitude. Comer, parece um erro, é difícil engolir mais de duas colheres no almoço, a noite, como por conveniência. No lanche, a comida vem para eu não ter desmaios na academia.  O espelho deixou de ser novamente um amigo, evito olhar, evito olhar para meu corpo, sinto nojo de mim. Eu só quero largar tudo e poder dormir. 

quarta-feira, 21 de dezembro de 2022

Pequenas distrações

Hoje eu queria ter a falsa sensação que tudo vai ficar bem. Atrasar meu pensamentos compulsivos sobre o fim.
Queria me entorpecer, sentir que estou apaixonada, ou me dopar com álcool e sexo. 
Eu gosto de ser quem sou a maior parte do tempo. Sozinha. Mas hoje, eu queria sentir as mãos dele na minha, cafune e o aconchego dos braços. Queria andar de roda gigante ou correr na BR. Gostaria muito de dançar funk até meus joelhos não aguentar mais, ou simplesmente gritar sem preocupação. Queria sorrir até chorar. Gostaria de saber que  ou andar de carro e sumir no mato, sentir cheiro do orvalho e ver a neblina do amanhecer.  Ter a impressão de estar apaixonada para simplesmente ter uma adrenalina por encontrar alguém e um foco. Eu só quero dormir sem ter hora para acordar, e não ter a obrigação de sorrir ou falar com alguém. De verdade, gostaria de ter feito meu treino na academia sem ter parado para chorar no banheiro, queria me sentir disposta como sempre, apesar das preguiças. Queria voltar no tempo em um momento onde eu não me sentisse assim, com vontade de sumir. Estou esgotada.